Liderança do Partido dos Trabalhadores
Assessoria da Bancada

  

CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOTA DO MINISTRO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO – REAJUSTE DOS SERVIDORES PÚBLICOS – 24 DE MAIO DE 2000

  

  1. A folha anual de servidores civis, ativos, inativos e pensionistas, que são os beneficiários da revisão geral pleiteada, é de R$ 36 bilhões.
  2. O percentual de comprometimento da Receita Corrente Líquida, conforme definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal é de 38,76% (acumulado nos últimos doze meses).
  3. O reajuste pleiteado, portanto, incidiria diretamente sobre no máximo R$ 36 bilhões, o que implicaria um gasto máximo adicional anual de R$ 22,92 bilhões. Somados os militares (R$ 13 bilhões de despesa anual) o acréscimo, aí sim, passaria para R$ 31 bilhões/ano.
  4. Esse acréscimo, mesmo no pior cenário, é de apenas 39% do gasto previsto, para o ano em curso, com juros e encargos da dívida. É menor do que o superavit fiscal atingido em 1999, que foi totalmente destinado ao pagamento de juros em atendimento ao compromisso com o FMI e a banca internacional.

- Ao criticar as lideranças do movimento grevista, o governo não apenas revela desconhecer a mecânica do processo de deliberação e representação dos servidores, com os quais nunca quis negociar a data-base dos servidores, como também superestima salários para mais uma vez rotular servidores de "marajás". No exemplo citado - um fiscal da Receita, do INSS ou do Trabalho, que recebe por mês até R$ 8.500 – o Ministério do Planejamento omite que a estrutura remuneratória das carreira citadas é composta de vencimento básico e Gratificação de Desempenho de Atividade de Tributação cujo valor máximo é de 50%. No entanto, essa gratificação está sendo paga no percentual de apenas 30% aos seus beneficiários, o que significa que a remuneração máxima realizada é de R$ 6,1 mil brutos, ou R$ 4,2 mil líquidos. A remuneração inicial dessas carreiras é de apenas R$ 2,6 mil líquidos. Como se vê, muito menos do que o Governo está acostumado a pagar para centenas de consultores que, em vários ministérios, são contratados sem qualquer necessidade.

- A repressão à greve dos servidores públicos revela, mais uma vez, a intolerância do governo. O governo FHC deliberadamente nega o direito do servidor ao exercício do direito de greve, que ainda não está devidamente regulamentado, depois de 12 anos de vigência da Constituição. Desde 1995 vem adotando medidas para intimidar e sufocar as greves dos servidores, suprimindo direitos e prerrogativas como a licença para o exercício de mandato sindical, a estabilidade e o RJU. A ameaça de corte de ponto e desconto de faltas não é novidade, mas a reabertura do Programa de Demissões Voluntárias sim, pois demonstra que, se pudesse, o Governo FHC demitiria todos os servidores, grevistas ou não. Essa reabertura contradiz drasticamente o que o governo afirma que está fazendo ao reprimir a greve (garantir a prestação dos serviços) pois não existe serviço público sem servidores motivados, pagos e treinados para servir a população. Ao incentivar a demissão do servidor, o governo está contribuindo para sucatear ainda mais o serviço público federal.

Em 24 de maio de 2000

 

Luiz Alberto dos Santos
Assessor da Liderança