NOTA TÉCNICA
A
posição do PT diante da inoperância da ANATEL em
fiscalizar as empresas de telefonia |
Enfim,
a Agência Nacional de Telecomunicações - a ANATEL - reconhece
que não tem condições de fiscalizar os serviços de
telecomunicações, notadamente, os de telefonia.
Sistematicamente,
o Governo Federal vinha negando a sua incapacidade de fiscalizar
os serviços realizados pelas operadoras de telefonia fixa e
móvel. No entanto, dois dias após a ANATEL ter
comparecido à Câmara dos Deputados para explicar a
reestruturação administrativa da TELEMAR, quando tentou negar a
sua incapacidade de fiscalizar, pois "não daria conta
sozinha", o seu Diretor José Leite Pereira Filho, declarou
que a ANATEL é impotente para desempenhar a função para a qual
foi criada: fiscalizar as operadoras de telefonia. Para
isso, segundo ele, a ANATEL está preparando a licitação para
contratação de auditoria para acompanhar o desempenho das
operadoras. Por que só agora? Por que a Agência vai contratar
uma auditoria? A ANATEL não tem quadro próprio? Se teve mais de
um ano antes da privatização, para se estruturar, por que não
o fez? E, como ficam as os vários problemas ocorridos no sistema
telefônico desde a privatização da Telebrás, os quais
chegaram a causar enormes prejuízos para a sociedade brasileira,
como o caladão da Telefônica, em São Paulo e as
inúmeras panes, em Minas Gerais?
Criada
em 05 de novembro de 1997, através da Lei nº 9.472, a Lei Geral
de Telecomunicações, a ANATEL foi constituída com vistas a
organizar a exploração dos serviços de telecomunicações, seu
disciplinamento, promovendo a fiscalização da execução,
da comercialização e uso dos serviços e da implantação, bem
como o funcionamento de redes de telecomunicações. Dentre
outros, a Agência tem o dever de adotar medidas que promovam a
competição e a diversidade dos serviços, incrementem sua
oferta e propiciem padrões de qualidade para atendimento aos
usuários.
Por
outro lado, a LGT, em seu art. 11, dispôs que no prazo de até
noventa dias, a partir da publicação dessa lei, o Poder
Executivo enviaria mensagem criando o quadro efetivo de pessoal
da Agência. Ocorre que até agora o Governo não enviou a Lei de
Cargos para o Congresso e, consequentemente, a ANATEL não pôde
estruturar-se para desempenhar as suas atribuições. Hoje, o seu
quadro de pessoal é constituído por funcionários egressos da
Telebrás e do Ministério das Comunicações. Desta forma,
encontra-se sem condições efetivas para cumprir sua função de
fiscalizar.
Quando
da entrada do serviço de seleção do código de acesso para
DDD, a ANATEL declarou que fora informada, pelas próprias
operadoras, de que estas estavam em condições de realizar, sem
transtornos, as mudanças no sistema. Ora, não cabe à ANATEL
acreditar na telementira das operadoras; seu dever é fiscalizar,
por seus próprios meios, as concessionárias. Esse episódio,
portanto, serviu para demonstrar que a Agência já não
fiscalizava nada e sim cumpria meras formalidades. O que é mais
grave é que, além de não fiscalizar as operadoras, a
própria ANATEL pagou a publicidade enganosa das operadoras
durante a mudança do código do DDD.
Outrossim,
o PT tem, sistematicamente, denunciado que a ANATEL não vem
cumprindo as suas competências como órgão regulador e
fiscalizador dos serviços de telecomunicações. Vários fatos,
por si só, já denunciavam a impotência da ANATEL. Neste
sentido, várias ações foram encaminhadas pelo partido com
vistas a alertar o conjunto da sociedade sobre o que vinha
ocorrendo. Inúmeros pronunciamentos têm sido feitos em
plenários pelos parlamentares do partido, tanto no Congresso
Nacional quanto nas Assembléias Legislativas e Câmaras de
Vereadores. Para o PT, já se podia ver que a ANATEL era
negligente com as suas atribuições.
Já
em setembro de 1997 o PT entrou no Supremo Tribunal Federal com
uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido de medida
liminar contra os dispositivos da LGT que, frontalmente, feriam a
Constituição Federal.
Em
fevereiro de 1998, o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) ajuizou
Ação Popular, na Justiça Federal do Distrito Federal, em
desfavor da União, do Ministério das Comunicações e da
Agência Nacional de Telecomunicações, contra o Plano Geral de
Outorgas para Serviços de Telecomunicações em Regime Público
visando demonstrar que a publicação era " (1) ilegal,
(2) intempestiva e (3) lesiva ao interesse e patrimônio
públicos, visando tão somente iludir terceiros desavisados de
que a lei está sendo cumprida..." Enfim, a Ação
Popular tinha o objetivo de assegurar o cumprimento da LGT, no
que diz respeito a obrigações de universalização, conforme o
disposto no §1º, art. 79, o qual estabelece que "são
as que objetivam possibilitar o acesso de qualquer pessoa ou
instituição de interesse público a serviço de
telecomunicações, independentemente de sua localização e
condição sócio-econômica" (...) A Ação
Popular considerava que o Poder Executivo ainda não havia
enviado o Quadro de Pessoal da Agência Nacional de
Telecomunicações como pré-condição para que fosse criado o
arcabouço regulamentar para que a Agência viesse a editar atos
de sua competência.
Em
abril de 1998, o PT, através do deputado Walter Pinheiro (PT-BA)
entrou com Ação Popular contra a União Federal, o Ministério
das Comunicações, a Telebrás, a Telebrasília e a ANATEL, por
omissão sobre a ilegalidade do ato e a sua lesividade ao
interesse e patrimônio públicos, em razão da privatização da
Telebrás e da Telebrasília.
Os
deputados Paulo Bernardo (PT-PR), Jaques Wagner (PT-BA) e Walter
Pinheiro (PT-BA) encaminharam representação ao TCU contra o
Ministro das Comunicações e o Presidente do BNDES contra a
antecipação da receita de U$ 20 bilhões, decorrente da
privatização das empresas de telecomunicações, do antigo
Sistema Telebrás, para as empresas já privatizadas.
Outro
aspecto que não tem tido fiscalizado pela ANATEL e tem sido
denunciado como causa da queda da qualidade dos serviços
prestados é o que diz respeito a pessoal. Segundo os sindicatos
dos trabalhadores em empresas de telecomunicações já foram
demitidos mais de 20.000 trabalhadores das operadoras de
telefonia, desde a privatização da Telebrás. Por isso, em
outubro de 1998 o PT encaminhou representação ao Ministério
Público do Trabalho contra a demissão de 1.500 empregados da
Embratel.
O
atendimento aos assinantes e usuários da telecomunicações de
Pernambuco, TELPE, empresa operadora da holding TELEMAR,
através das linhas 102, 103 e 104, passou a ser realizado em
central de Salvador, na Bahia, causando grandes transtornos para
os assinantes dessa concessionária, razão pela qual foi motivo
de Ação Civil Pública promovida pela Defensoria Pública do
Estado de Pernambuco.
O
deputado Walter Pinheiro (PT-BA) encaminhou, em julho de 1999, NOTIFICAÇÃO
ao Ministro das Comunicações, João Pimenta da Veiga Filho,
referente a matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, que
afirmava que "Governo soube 3 dias antes que o novo DDD
geraria caos, mas não fez nada". No texto a reportagem
denunciava que a ANATEL teve conhecimento, três dias antes de
começar a vigorar o novo sistema de DDD, que as mudanças
"gerariam caos" nas ligações interurbanas. Na
oportunidade, o partido requereu informações do Executivo sobre
as medidas adotadas para identificar os problemas ocorridos,
apurar responsabilidades e aplicar sanções pertinentes.
Em
julho de 1999, o PT encaminhou representação à
Procuradoria da República no Distrito Federal, contra a
Secretária de Estado da Administração e Patrimônio do
Ministério do Orçamento e Gestão por não ter promovido, a
tempo, a escolha da operadora dos novos códigos de acesso DDD.
Por sua vez, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) e o deputado
Walter Pinheiro (PT-BA) representaram à Procuradoria da
República no DF, ação contra a Embratel, Telesp e Tele Centro
Sul e sua operadora Telebrasília, pelos problemas ocorridos em
03 de julho de 1999, face ao despreparo da ANATEL, em
fiscalizá-las, instalando-se uma completa confusão associada a
panes e prejuízos na operação do sistema telefônico em todo o
país. Na oportunidade, o partido, através dos seus deputados,
requereu abertura de um Inquérito Civil Público para
apurar os fatos denunciados. Ação similar foi representada à
Procuradoria da República contra a Anatel, por falta de cuidado
em zelar pelos interesses da sociedade, seja através de ações
de caráter técnico, para garantir a confiabilidade no
funcionamento, seja por procedimentos consoantes os dispositivos
estabelecidos na LGT. Na oportunidade, o PT denunciou o
descumprimento da ANATEL de suas funções, notadamente no que
tange à fiscalização e acompanhamento de todas as tarefas para
garantir a qualidade e confiabilidade dos serviços para a
população. Perguntava-se, então, para que serve um órgão
fiscalizador e regulador se não fiscaliza?
Grave,
também, foi o ocorrido no episódio referente à desistência do
Brasil em aumentar a sua participação no Consórcio Intelsat. O
PT encaminhou ao Presidente da ANATEL PETIÇÃO CONTRA ATO DA
ANATEL baseada na decisão da EMBRATEL, em não comunicar
previamente à Agência, que não elevaria a participação do
Brasil no Intelsat, de 2,1% para 4,87%, implicando, assim, em um
aporte de capital de US$ 88 milhões. Na oportunidade, o deputado
Walter Pinheiro (PT-BA) encaminhou representação à
Procuradoria da República no DF contra a ANATEL e a Embratel.
O
deputado Milton Temer (PT-RJ) e o deputado Walter Pinheiro
(PT-BA) representaram junto ao Ministério Público Federal
contra compra da participação da INEPAR, na TELEMAR, pelo
Grupo Opportunity, por ferir dispositivo da LGT e da legislação
do setor.
Contra
a Telefónica Internacional S.A., a ANATEL e o Ministério das
Comunicações, o deputado José Dirceu (PT-SP) e o deputado
Walter Pinheiro (PT-BA) representaram junto à Procuradoria
Geral da República contra os processos de reestruturação
societária na CRT e na TELEFÔNICA de São Paulo. Na
oportunidade, O PT destacou que a Procuradoria Geral do
CADE já havia manifestado sua preocupação com a existência de
participações cruzadas da Telefónica Internacional S.A., em
outras empresas e que esta salientou que a ANATEL "deveria
zelar pelo cumprimento do art. 14 do Plano Geral de
Outorgas".
Ora,
se a ANATEL estava despreparada, desde a sua criação para
fiscalizar as operadoras privatizadas - e essa Agência era peça
fundamental para o processo de privatização - mais uma vez
confirma-se que a privatização do Sistema Telebrás foi um
escândalo. Aliado ao processo da venda da Telebrás, que por si
só deveria justificar a sua anulação, a inoperância da
Agência e o descaso do Governo Fernando Henrique Cardoso para
com a fiscalização das atividades das empresas privatizadas
representou um calote nos consumidores brasileiros. Todos foram
enganados. A ANATEL não tem condições de fiscalizar a
qualidade do serviço, o atendimento às metas de
universalização, o valor cobrado das tarifas, que não param de
subir desde a privatização do setor. Afinal, se são as
próprias operadoras são quem fornecem as informações para a
ANATEL, como esta poderá garantir que essas informações são
verdadeiras?
Ao
divulgar, neste mês, o desempenho das operadoras em
relação ao cumprimento das metas previstas nos protocolos de
compromisso, a ANATEL simplesmente demonstrou que está confiando
nas operadoras. Razão pela qual não vai punir nenhuma
operadora que não tenha cumprido as metas previstas no contrato
de concessão.
Por
outro lado, a ANATEL não tem nenhum compromisso com a
fiscalização dos serviços. Até setembro de 1999 a
Agência só utilizou 5% do previsto no Orçamento para 1999. Em
contrapartida, de setembro a dezembro do ano passado a Agência
liquidou 95% do previsto no orçamento. Talvez a razão desse
descaso seja porque foram aplicados R$ 48 milhões para
aquisição de sistema de monitoramento, com vistas à
fiscalização as rádios comunitárias, atendendo a uma manobra
sórdida dos donos de rádio comerciais, representados pela
ABERT, que querem destruir as rádios comunitárias.Para se ter
uma visão da aplicação dos recursos orçamentários
apresentamos a tabela a seguir.

Desta
forma, não se justifica a ANATEL ir buscar recursos comprando
títulos da dívida para suprir suas necessidades. O que pode
acontecer é que será mais um engodo para os consumidores e um
golpe no mercado.
Neste
sentido, o PT estará requerendo que a ANATEL compareça à
Câmara dos Deputados para, na Comissão de Ciência e
Tecnologia, Comunicação e Informática, prestar informações
quanto às suas ações de fiscalização, de maneira que se
possa apurar as responsabilidades pela omissão e impotência da
Agência, bem como os prejuízos causados ao povo brasileiro e ao
país.
Assim,
também, o PT estará encaminhado ao Ministério Público e à
Justiça Federal denúncias para que seja apurado crime de
responsabilidade do Presidente da ANATEL, Ministro das
Comunicações e do Presidente da República, face às
declarações de impotência da Agência, em cumprir sua função
de fiscalização.